
Sou professor universitário, pesquisador e formador na área da Educação Inclusiva. Sou doutor em Educação pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), onde também atuo como professor nos cursos de Licenciatura com a Disciplina de Educação Inclusiva. Minha trajetória acadêmica e profissional tem se concentrado principalmente em educação especial, neurodiversidade, autismo, atividade de estudo, formação de professores, processos de ensino e Educação Superior.
Nos últimos anos, tenho investigado especialmente as experiências de estudantes autistas na universidade. Como estudam, organizam suas atividades, enfrentam barreiras e constroem estratégias para permanecer e aprender. Parte desse percurso também me levou para fora do Brasil, conhecendo experiências, políticas e práticas de inclusão em diferentes contextos europeus.
Além da universidade, trabalho com formação de professores, ministro palestras e oficinas, além de trabalhar no desenvolvimento de projetos educacionais. Gosto especialmente do ponto em que uma pesquisa deixa de ser apenas um texto acadêmico e começa a se transformar em alguma coisa que alguém pode usar. Gosto de ver o texto se tornar uma pergunta melhor, uma aula, um livro, uma ferramenta, uma formação ou uma decisão pedagógica diferente.
Em resumo: acredito em uma educação inclusiva que não comece perguntando como fazer alguém caber no que já existe. Prefiro perguntar o que podemos construir para que diferentes pessoas possam participar, aprender e pertencer.
É daí que vem a expressão que acompanha meu trabalho:
Da evidência à prática.
Não porque toda prática possa ser reduzida a uma evidência, nem porque a pesquisa tenha respostas prontas para todos os problemas. Mas porque acredito que conhecimento precisa circular. Precisa sair do artigo, encontrar pessoas, ser questionado, ganhar novas formas e, algumas vezes, voltar para a pesquisa como uma pergunta melhor.
E existe uma versão menos curricular de tudo isso.
Sou também musicoterapeuta, gosto de trabalhar com música, movimento, imagens e experiências que façam as pessoas participarem de verdade. Provavelmente por isso tenho alguma dificuldade com formações em que alguém fala por duas horas enquanto todo mundo permanece olhando para slides.
Gosto de universidades, livros, boas perguntas e conversas que começam em um lugar e terminam em outro completamente diferente.
E continuo desconfiando de qualquer proposta de inclusão que consiga explicar uma pessoa inteira em um diagnóstico, uma categoria ou uma lista de características.
Porque, no fim, é justamente a diversidade das pessoas que torna a educação mais difícil.
E muito mais interessante.
